Imprensa
Jornal da Madeira - 2010. Maio. 03
Além do decréscimo de "vendedores", há mais compradores, pelo que o negócio já esteve melhor
Menos pessoas a vender ouro por necessidade
Actualmente há um decréscimo no número de pessoas a vender ouro usado por necessidade.O negócio da compra de ouro usado já conheceu "melhores dias", tendo em conta dois factores. Por um lado, está o facto de haver menos pessoas a vender ouro e, por outro, está o surgimento de mais empresas neste ramo (compradores). Na realidade, são vários os anúncios de compra de ouro usado que proliferam por algumas zonas da cidade.
O JM falou com o responsável por uma destas empresas, a "Ourolux", situada na Rua Dr. Fernão de Ornelas. Joel Vilaça referiu que o pico mais alto de venda de ouro usado aconteceu há dois anos e inícios do ano passado e que ultimamente a mesma tem vindo a «cair com alguma intensidade». «Penso que também já se deixou de falar mais na crise», afirma o comerciante, considerando que esta pode ser uma das explicações para esta realidade.
O nosso interlocutor afirma que continuam a aparecer pessoas, mas acrescenta que a realidade «já não é o que era». Tal como referiu, o número de vendedores que procuram a empresa é muito incerto, havendo dias em que «entram uma ou duas pessoas, outros com sete, oito ou nove e outros em que não entra ninguém». Antes, no tempo em que a procura era maior, «todos os dias tínhamos pessoas», sustenta.
Por outro lado, como referido, há um maior número de empresas a comprar. «É a tal febre, como em qualquer negócio», diz Joel Vilaça, acrescentando que «abre um e há logo dois ou três que pensam que isto é uma mina».
Sendo mais reduzida a quantidade de pessoas que vendem ouro usado por necessidade, a grande maioria daqueles que procuram a "Ourolux" fazem-no porque têm peças partidas ou, noutros casos, porque perderam um elemento de um conjunto. «Há aquelas pessoas que têm um anel partido, uma arrecada que perderam o par e, como aquilo não tem qualquer utilidade, vêm ter connosco», explica o nosso interlocutor.
Quanto à avaliação do ouro usado, é feita consoante a qualidade e a quantidade, sendo que este metal precioso usado é pago a uma média de entre três a 17 euros por grama, ou seja entre três mil a 17 mil euros por quilograma.
Posteriormente este ouro vai para um laboratório, onde é purificado, sendo depois colocado no mercado internacional (o ouro cotado na Bolsa). O seu uso posterior pode ser diversificado.
Para vender é preciso identificar-se
De referir que no acto da venda do ouro, a pessoa tem de se identificar, através do preenchimento de uma declaração, onde coloca dados como o nome, o número do Bilhete de Identidade e de contribuinte e assina a confirmar que as peças são suas.
Além do ouro, a "Ourolux" também compra prata. Um quilo de prata varia entre 150 e 250 euros, o que equivale a 15 a 25 cêntimos por grama.
Comprar ouro de investimento é uma «boa opção»
Joel Vilaça aconselha a que quando as pessoas pretendam comprar ouro como uma forma de investimento, que comprem ouro em barra - o chamado ouro de investimento.
Segundo o nosso interlocutor, por vezes as pessoas compram pulseiras ou fios que acabam por não usar, apenas pelo investimento, esquecendo-se que um dia mais tarde, caso queiram vender essas peças, factores como a mão-de-obra, o lucro da loja ou o IVA (que tiveram de pagar) não serão tidos em conta pelo comprador, já que é valorizado apenas o metal. Como tal, nestas circunstâncias aconselha a que as pessoas comprem ouro de investimento. «Se a pessoa compra em barra, ao vendê-lo perder é quase impossível. Pode é ainda ganhar, com a valorização do ouro», disse, acrescentando que esta é uma «boa opção». De referir que a "Ourolux" também vende ouro de investimento, produto este que já está purificado e certificado. O preço ronda os 25 a 26 mil euros por quilo.
Ricardo Caldeira

